- O que você quer?
Essa pergunta, feita de uma forma tão despretenciosa, me faz divagar mesmo sem querer. Nunca havia reparado nas coisas que eu quero nesse momento. Ou talvez houvesse reparado sim, mas não com tanta clareza com agora.
Minha mente viaja pensando um beijo rápido, mas quente, úmido. É, talvez seria bom ganhar aquele beijo novamente. É, acho que quero isso.
Eu quero cumplicidade, mas não aquela forjada que sempre vejo por aí nos casais que ainda estão se conhecendo. Não, eu quero cumplicidade genuina. Mais do que a intimidade forçada, eu quero que tudo seja verdadeiro.
Quero andar de mãos dadas sem me preocupar o quão bobo isso seja. Quero abraçar no frio, e quero que me corpo trema tanto a ponto de eu não saber se estou tremendo pelo frio ou pelo efeito que o seu abraço causa em mim.
Quero passar uma noite inteira ao seu lado. Como naquela música em que ouvimos, não seria muito legal dar ‘boa noite’ mas continuarmos juntos? E quero que a noite acabe, e que ver o dia nascer ao teu lado. Ver a escuridão passar e o sol aparecer, meio tímido, mas quero que a claridade cegue meus olhos.
Quero conhecer cada pedaço do seu corpo, cada centímetro de sua pele, quero saber que gosto seu pescoço tem. Quero sentir o cheiro do seu corpo, ver cada cicatriz e cada história por trás dela, sentir cada osso e cada pêlo roçando minha pele. Quero me afundar no seu cabelo e ficar ali, sentindo aquele cheio tão familiar e tão calmante.
Quero ouvir cada história de sua infância, de sua vida. Quero saber o nome dos cachorros que você teve, quero ouvir você falar de seus pais, de suas avós. Quero ouvir você falar do seu primeiro porre, do seu primeiro beijo, da primeira vez que você fez sexo. Quero ouvir você falando a noite toda, e eu juro que ficarei em silêncio, sem atrapalhar. Eu não ligo, sua voz tem efeito meio mágico em mim, posso passar horas a ouvindo sem me cansar. Quero ouvir você falar do seu filme favorito, da primeira música que lhe fez chorar.
Quero fazer sexo com você. E também fazer amor. Quero sentir raiva de você, e ao mesmo tempo sentir carinho. Quero sentir que devo lhe proteger, e também quero que você me proteja. Quero que você me ouça quando eu falar alguma coisa importante, e que você ria quando eu falar alguma besteira. Quero que você corrija minha pronúncia quando eu falar daquele filme francês que tanto gostei. Eu vou rir, talvez finja que estou brava pela interrupção, mas é só um charme, você sabe.
Quero dormir ao seu lado. Quero ouvir sua respiração enquanto você estiver cochilando, quero ver você acordar, com os olhos mais pequenos que o de costume e com o cabelo todo desalinhado. Quero te ver mole de sono, quero até mesmo sentir seu hálito quente me beijando de ‘bom dia’. É isso que eu quero. Não é pedir muito, é?
Quero ver filmes ao seu lado. Quero ouvir você reclamar daquele diretor que você não gosta tanto, quero ouvir você rir naquela cena engraçada. Quero ver você prestar atenção ao filme, quando na verdade apenas queria que você prestasse atenção em mim. Quero ficar debaixo do cobertor, tomando Pepsi sem gás, fumando um cigarro ao seu lado vendo “True Romance”, quero nos enxergar no papel principal. Eu seria sua Alabama, com meu casaco de onça, e você seria o meu Clarence, com tanta história pra contar. E aí, como o casal do filme, você veria que tanto temos em comum. E talvez você olhe pra mim com esses seus olhos brilhantes e pense “Não vou deixar essa garota escapar de mim.” É isso que eu quero, que você me prenda ao seu lado. Que você não me deixe escapar. Tantos outros deixaram, você tem que ser diferente. Tem que ser especial.

Quero te mandar um sms dizendo “Tô indo dormir e pensei em você.” Sei que você talvez não responda, mas eu não ficaria brava, juro. Sei que você também esteja pensando em mim. Quero que você me ligue no outro dia cedo apenas pra dizer “Sonhei com você. Foi um sonho estranho.” Eu não ligo, mas ao menos ficaria feliz por saber que você sonhou comigo. E assim eu poderia acordar já feliz e sentar no ônibus a caminho do trabalho ouvindo “Ring of fire” pensando em você.
Ando pensando muito em você e isso me assusta um pouco, pra ser sincera. Não é algo que eu possa controlar, os pensamentos só vem e se instalam, sem pedir permissão. Eu acendo um cigarro quando acordo de madrugada e fico pensando em cada palavra que você disse na última vez que nos vimos. Apesar do receio que tenho por estar pensando tanto em você, confesso que me sinto engraçada. Me sinto mais leve, de um modo peculiar. Talvez você não pense tanto em mim, não seja tão recíproco, ou talvez você me veja como a melhor amiga que já teve em toda sua vida. Não me importa. Eu quero que você pense em mim.
Eu quero deitar com a cabeça no seu colo enquanto você bagunça meu cabelo. Eu quero ficar ali, sentindo seus dedos longos percorrendo meu rosto, me fazendo carinho. Acho que poderei passar a eternidade ali, no seu colo, sem falar nada. Só… sentindo. É isso. Eu quero te sentir sempre. Quero você perto de mim. Mesmo que não seja ‘pra sempre’, mas pelo menos por um bom tempo.
- Queria saber o que você está pensando agora.
- Eu? Não tô pensando em nada concreto. Só viajando mesmo.
- Você parecia pensativa. Algum problema?
- Não. Nenhum. Tô bem, sério, apenas com um pouco de sono.
- Eu tinha perguntado o que você quer. Lembra?
- Acho que vou querer um cigarro. Você me acende um?